Outubro Rosa: quando fazer a mamografia e o que mais você precisa saber sobre câncer de mama
Outubro chega e, com ele, o laço rosa aparece em toda parte. A campanha cumpre um papel importante: lembrar que o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil. Para o período de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 78 mil novos casos por ano no país.
O número assusta. Mas existe outra informação que precisa andar junto com ele: quando o câncer de mama é descoberto no início, as chances de tratamento bem-sucedido são muito maiores. E é exatamente aí que a informação faz diferença.
Quando fazer a mamografia?
A mamografia é o principal exame para detectar o câncer de mama antes de qualquer sintoma, inclusive lesões pequenas demais para serem percebidas no toque.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou suas recomendações:
dos 40 aos 49 anos: a mamografia pode ser feita mesmo sem sintomas, a partir de uma decisão conjunta entre a mulher e o profissional de saúde;
dos 50 aos 74 anos: a recomendação é fazer o exame a cada dois anos, mesmo sem sintomas;
a partir dos 75 anos: a indicação é individual, considerando o estado de saúde e a história de cada mulher.
Sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Febrasgo recomendam a mamografia anual a partir dos 40 anos.
Para mulheres com risco aumentado, como histórico familiar importante ou alterações genéticas conhecidas, o acompanhamento pode começar mais cedo e incluir outros exames. Nesses casos, o plano é sempre individualizado.
Na prática, a melhor forma de saber qual é o seu calendário de exames é conversar sobre isso na consulta, levando em conta a sua idade, a sua história e o seu histórico familiar.
Conhecer as próprias mamas também é cuidado
O autoexame, como era ensinado antigamente, com dia marcado e técnica rígida, deu lugar a uma ideia mais simples: conhecer o próprio corpo.
Observar as mamas no banho, no espelho ou ao passar um creme ajuda a perceber quando algo muda. Essa atenção não substitui a mamografia, porque muitas alterações só aparecem no exame de imagem. Mas ela ajuda a identificar mudanças entre um exame e outro.
Sinais que merecem avaliação
Procure uma avaliação médica se você perceber:
um nódulo ou caroço na mama ou na axila, geralmente endurecido e sem dor;
retração da pele ou do mamilo;
pele avermelhada, espessada ou com aspecto de casca de laranja;
saída espontânea de líquido pelo mamilo, principalmente se for transparente ou com sangue;
mudança no tamanho ou no formato de uma das mamas;
feridas ou descamação persistente no mamilo.
A maioria das alterações nas mamas não é câncer. Cistos, nódulos benignos e alterações ligadas ao ciclo menstrual são muito mais comuns. Ainda assim, qualquer mudança persistente merece ser avaliada, e não observada indefinidamente.
Fatores de risco: o que se pode e o que não se pode mudar
Alguns fatores aumentam o risco de câncer de mama e não podem ser modificados:
idade, já que o risco aumenta com o passar dos anos;
histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, especialmente em parentes próximas;
alterações genéticas hereditárias, como nos genes BRCA1 e BRCA2;
primeira menstruação precoce ou menopausa tardia;
mamas densas na mamografia.
Outros estão ligados ao estilo de vida e podem ser trabalhados:
consumo de bebidas alcoólicas;
excesso de peso, principalmente após a menopausa;
sedentarismo.
Vale lembrar: a maioria das mulheres diagnosticadas com câncer de mama não tem histórico familiar da doença. Por isso, a ausência de casos na família não é motivo para deixar de fazer o acompanhamento.
E a reposição hormonal?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes no consultório, especialmente entre mulheres no climatério.
O que a ciência mostra hoje é que o risco depende do tipo de tratamento, do tempo de uso e do perfil de cada mulher. A terapia que combina estrogênio e progestagênio está associada a um pequeno aumento do risco de câncer de mama, que cresce com o tempo de uso e diminui depois que o tratamento é interrompido. Já o estrogênio isolado, usado por mulheres que retiraram o útero, tem um perfil diferente.
Para mulheres que já tiveram câncer de mama, a reposição hormonal sistêmica, em geral, não é indicada.
Por isso, a decisão sobre a reposição nunca deve ser tomada de forma automática, nem pelo medo nem pela pressa. Ela envolve avaliar sintomas, benefícios, riscos e o histórico de cada mulher, incluindo o rastreamento das mamas em dia. Para entender esse cenário com mais profundidade, vale ler o texto sobre o que a ciência diz atualmente sobre a segurança da reposição hormonal e conhecer como funciona o acompanhamento em reposição hormonal.
O papel da consulta ginecológica
A consulta ginecológica é um dos momentos em que o cuidado com as mamas entra na rotina. É nela que acontecem o exame clínico das mamas, a avaliação do histórico pessoal e familiar, a definição de quando fazer a mamografia e a interpretação dos resultados.
Quando há alguma alteração que precisa de investigação mais específica, o encaminhamento para a mastologia faz parte do cuidado.
Mais do que um exame isolado, o que protege é o acompanhamento contínuo. Saiba mais sobre a consulta ginecológica.
Quando procurar uma ginecologista?
Vale agendar uma consulta se:
você tem 40 anos ou mais e ainda não conversou sobre o seu calendário de mamografias;
faz mais de um ou dois anos desde a última mamografia;
percebeu alguma mudança nas mamas;
tem histórico familiar de câncer de mama ou de ovário;
está avaliando iniciar ou manter a reposição hormonal.
Perguntas frequentes
A mamografia dói?
Pode causar desconforto por um momento, por causa da compressão das mamas. Fazer o exame fora dos dias que antecedem a menstruação costuma deixá-lo mais tolerável.
Ultrassom das mamas substitui a mamografia?
Não. O ultrassom é um exame complementar, útil em algumas situações, como em mamas densas. Ele não substitui a mamografia no rastreamento.
Quem tem prótese de silicone pode fazer mamografia?
Sim. O exame é feito com técnicas específicas, e é importante avisar a clínica sobre a prótese no momento do agendamento.
Quem tem histórico familiar deve começar antes dos 40?
Pode ser indicado. Nesses casos, o início e a frequência dos exames são definidos de forma individual.
Cuidar das mamas é cuidar da sua história
O Outubro Rosa passa, mas o cuidado continua. Informação clara, exames no tempo certo e atenção às mudanças do corpo formam a base da detecção precoce.
Se você quer organizar o seu acompanhamento com calma, saiba como funciona a primeira consulta.
Sobre a autora
Dra. Naiana Confortin | Médica Ginecologista em Florianópolis
CRM/SC 17843 | RQE 13727
Atua com foco em saúde hormonal feminina, climatério, menopausa, ginecologia endócrina e acompanhamento ginecológico em todas as fases da vida da mulher. Conheça a trajetória da Dra. Naiana.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a consulta médica individualizada.

